quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dívida com a SME é de R$ 24,7 mi

Dívida com a SME é de R$ 24,7 mi
Margareth Grilo - repórter
No exercício financeiro de 2012 a Prefeitura de Natal já acumula um débito de R$ 24,7 milhões para com a Secretaria Municipal de Educação (SME). Os valores deveriam ter sido repassados para a pasta da Educação a título de pagamento dos chamados decêndios. Do total de R$ 36,2 milhões devidos de 01 de janeiro a 31 de março, a prefeitura repassou pouco mais de R$ 11,4 milhões para a SME.
Os dados estão no relatório financeiro da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla), extraído na segunda semana de abril, ao qual a reportagem da TRIBUNA DO NORTE teve acesso. A cada dez dias, a Sempla é obrigada, pela Constituição Federal e pela lei municipal 5.650/2005 [Plano Municipal de Educação) a repassar 30% da receita de impostos para aplicação direta na manutenção e desenvolvimento do ensino.A composição do percentual é da seguinte forma: 25% é fixado pela Constituição Federal e a complementação, 5%, foi estabelecida pela lei municipal. No entanto, o município - pelo que demonstra o documento de controle da Sempla - não vem cumprindo integralmente os repasses. Esse ano, a dívida foi desencadeada já no primeiro mês, quando o município deixou de repassar à conta da SME cerca de R$ 7,7 milhões do total devido de R$ 19,1 milhões.Nos meses seguintes, a dívida cresceu. Em fevereiro e março, a prefeitura não executou nenhum dos repasses previstos. Nos dois meses, a verba devida era de aproximadamente R$ 22,8 milhões. De acordo com o artigo 69 da lei de Diretrizes da Educação Nacional (LDB) o repasse dos referidos valores deve ocorrer, de imediato, ao órgão responsável pela educação, observados alguns prazos.Os recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês devem ser repassados até o vigésimo dia; os recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês, até o trigésimo dia; e os recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês, até o décimo dia do mês subseqüente.Este ano, para se ter ideia, a primeira transferência entre as contas da Sempla e SME, relativa ao primeiro decêndio de 2012, foi feita no dia 31 de janeiro, no valor aproximado de R$ 2,3 milhões. Depois foram feitos outros dez repasses (o último em 03 de abril) para completar esse decêndio, ficando ainda um saldo a transferir de R$ 841,3 mil. Pela Constituição Federal e pelo parágrafo sexto, do artigo 69 da LDB o atraso pode configurar improbidade administrativa e crime de responsabilidade.Ontem, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE tentou ouvir os titulares das pastas de Planejamento e Educação, respectivamente, Antônio Luna e Walter Fonseca. Luna enviou através da Assessoria de Imprensa da Sempla nota onde nega que a prefeitura tenha um débito de R$ 24 milhões referentes ao decêndio da Educação em 2012."A Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla) esclarece que essa dívida não existe e que, desde o início da gestão da prefeita Micarla da Sousa, os 25% da arrecadação previstos na Constituição são repassados integralmente à Secretaria Municipal de Educação", diz a nota. Em outro trecho, o documento frisa que "em alguns anos esses repasses alcançaram até mais do que os 25% previstos na Constituição, chegando a ser repassado 31,8% da arrecadação do município para a Educação". Já Walter Fonseca informou através da Assessoria de Imprensa que não fala sobre o assunto e que caberia a Luna às explicações. Prefeitura tem débito referente ao ano de 2011 No caso de Natal, o decêndio virou disputa judicial entre o município e o Ministério Público Estadual. Isso porque, a prefeitura acumula dívidas com a Educação referentes ao exercício de 2011 da ordem R$ 63,7 milhões, de acordo com documento de controle da Sempla que a TN teve acesso em fevereiro deste ano. As informações diferem da linha defesa da Procuradoria Geral do Município.Desde fevereiro, a Prefeitura de Natal contesta o débito na Justiça Estadual, assegurando não ter dívida com a SME. Na defesa, o município incluí no cálculo do percentual o montante pago aos servidores inativos da Educação. Essa inclusão, segundo a promotora de Justiça da educação, Zenilde Alves não tem respaldo jurídico algum. Em Acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, publicado em 07 de março deste ano, a justiça carioca afirmou que "não se coaduna com o espírito da LDB considerar as despesas com inativos nos gastos relativos à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino" e determinou que a Prefeitura do Rio de Janeiro faça a recomposição das verbas. No caso de Natal, segundo a promotora a prefeitura nunca computou no cálculo o montante pago aos inativos da Educação. "Agora é que a procuradoria está usando esse argumento para justificar que cumpre o percentual constitucional", disse a promotora. Trâmite impediu quitação de dívida A dívida da Secretaria Municipal de Educação (SME) com as empresas terceirizadas que prestam serviço nas escolas municipais e centros de educação (CMEIs) é de R$ 2,9 milhões. A informação é oficial. Por meio da Assessoria de Imprensa, o secretário municipal de Planejamento (Sempla), Antônio Luna, informou que esse era o valor do débito e que ele poderia ter sido quitado ontem (18), mas foi possível por atraso no trâmite dos processos. De acordo com a Sempla "o processo não percorreu todos os trâmites burocráticos necessários e, portanto, não pode ser pago". A reportagem da TRIBUNA DO NORTE apurou que há indícios de irregularidades nos processos. Segundo fonte do jornal há divergências entre o valor do serviço contratado e a despesa declarada nos empenhos e por esta razão a Controladoria Geral do Município (CGM) teria solicitado uma diligência para averiguação das informações financeiras.A TN entrou em contato, às 15h de ontem, com a Controladoria do município para confirmar as informações e foi orientada a procurar o chefe do controle interno, Augusto César Rebouças de Brito, que tem acesso a todos os processos e poderia confirmar em que fase se encontra o processo das terceirizadas. No entanto, o expediente dele havia terminado às 14h e ele não se encontrava mais no prédio da CGM.A rede municipal de Educação tem 74 CMEIs e 69 escolas, e a SME mantém, atualmente, contratos com quatro empresas terceirizadas para a locação de mão de obra, conforme publicações do Diário Oficial do Município. No último contrato, firmado no dia 29 de fevereiro, de forma emergencial, com dispensa de licitação, a SME destinou R$ 5,5 milhões para contratação de três empresas, para disponibilizarem 1.372 trabalhadores.As empresas contratadas foram a Clean Locação de Mão-de-Obra Ltda, a Límpia Recursos Humanos Ltda. e a CM3 Construções e Serviços Ltda. Esta última já prestava serviços ao município e é uma das que atrasou o pagamento do pessoal contratado. Além dessas, a SS Construções e Empreendimentos também presta serviços à SME. Das quatro empresas, três atrasaram os salários de março e o repasse de vales-transporte aos empregados. Ontem, a Assessoria de Imprensa da SME informou que a negociação ainda está em andamento e que o titular da pasta da Educação, Walter Fonseca, só vai se pronunciar sobre o assunto quando a pendência financeira com as empresas for resolvida. Na terça-feira, Fonseca havia informado que se reuniria à noite com representantes das três empresas para solucionar o problema dos repasses e que falaria à imprensa no dia seguinte (ontem).MemóriaEm julho do ano passado, quando o débito totalizava R$ 48 milhões, a promotora Zenilde Alves, formatou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), documento assinado também pela prefeita Micarla de Sousa (PV), e pelo secretário de Planejamento, Antônio Luna, que reconhecia a dívida e assegurava a quitação do montante em 16 parcelas.Como o TAC não vingou - um novo atraso foi verificado em novembro - a representante do Ministério Público ingressou com um processo judicial requerendo o bloqueio de R$ 6,8 milhões das contas da Prefeitura relativos a um inadimplemento do próprio termo de ajustamento. O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Ibanez Monteiro, negou o pedido liminar da promotora, mas um recurso junto à segunda instância do Tribunal de Justiça acabou por acatar o pedido da promotora.Zenilde Alves requereu ao magistrado de primeiro grau, o responsável pela execução do bloqueio, que cumpra a ordem superior, mas a decisão está sendo protelada, segundo a promotora. A última movimentação do processo mostra que o juiz recebeu documento da Procuradoria Geral do Município, explicando que o repasse reclamado pelo MPE já teria sido realizado. A PGM declarou que, em janeiro deste ano, a Sempla repassou R$ 23,1 milhões à SME, sendo R$ 6,2 milhões referentes a decêndio do mês e R$ 16,9 milhões relativos à restos a pagar. Para comprovar a informação, a PGM anexou cópia de movimentação entre as duas contas, mas não enviou o relatório de controle do decêndio. Diante dos documentos, o juiz expediu ofício ao desembargador Expedito Ferreira, relator do agravo de instrumento promovido pelo MP, remetendo todas as informações e planilhas apresentadas pelo município, e solicitando que o magistrado confirme ou não se ainda há a necessidade do bloqueio.Bate papoZenilde Alves, promotora de Justiça da EducaçãoA inadimplência da prefeitura com a Educação em relação ao exercício 2012 causa surpresa?Não tive acesso a esses dados que o jornal teve. Pelo fato de não conhecer a fonte, não posso dizer se está correto ou não, mas se os dados forem fidedignos, como acredito que sejam, não surpreende a promotoria. Nós sabemos que as transferências para a Educação não vem sendo feitas como deveriam e que a secretaria não tem dinheiro. Se estivesse recebendo os decêndios pontualmente não estaria na situação que está atualmente.Diante desses novos dados, a senhora vai adotar alguma ação?Na verdade, o remédio jurídico já existe. Tenho um TAC, assinado em julho do ano passado pelo secretário municipal de Planejamento [Antônio Luna], que previa, a cada dez dias, o repasse do decêndio devido do ano e uma parcela do decêndio em atraso. Mas infelizmente a execução ficou truncada, a prefeitura descumpriu o TAC e hoje não sabemos quanto efetivamente a prefeitura está repassando para a SME. Que informação a Promotoria tem sobre esses repasses?Sabemos que os repasses são feitos quando a situação já está no limite, quando o serviço para, como agora que os terceirizados que trabalham nos CMEIs paralisaram as atividades. Na maioria das vezes, quando é feito o repasse, ele já vai com uma destinação amarrada. E esse é um dinheiro que não deve ser questionado. Deve ser transferido, nas datas previstas, e o secretário de Educação deve ter autonomia para gerir os recursos, o que não vem acontecendo.Qual o último relatório financeiro que o MP teve acesso?De 04 de novembro do ano passado até agora não recebemos mais qualquer informação oficial. Nós agora estamos estudando uma forma jurídica para cobrar do juiz que determine ao município o envio desses relatórios financeiros. Se eles questionam o percentual de 30%, porque não enviam os relatórios com a base de 25% e porque não entregar esses relatórios de boa vontade para a promotoria? Qual o mistério de não entregar esses dados atualizados? Até agora, nas defesas que fez a Procuradoria não juntou aos autos do processo, em nenhum momento, os dados atualizados do relatório de transferência dos decêndios. É porque eles sabem que se apresentarem ficará comprovando o débito com a Educação.O gestor pode ser penalizado por atrasar repasse do decêndio?Sim. Pode ser implicado em improbidade e crime de responsabilidade, ao não transferir os recursos nas datas determinadas. Está previsto na LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, artigo 69, parágrafo sexto].

quinta-feira, 29 de março de 2012

Reunião ordinária do FOGEM, mês abril/12

Olá colegas gestores e educadores!!

Retomaremos as reuniões ordinária mensal do FOGEM, a partir de abril. Lembrem-se: primeira quarta de cada mês, às 14h30, no CEMURE. Em abril será dia 04. Dia 5, as 15h, no gabinete SME, temos agendado encontro com o secretário Walter Fonseca. Vamos construir a pauta juntos, façam comentários ao final desse informativo.

PAUTA (provisória):
1) Informativos afins
2) Mudanças no cardápio da merenda e sua aplicabilidade
3) Situação de contrapartidas para o programa Mais Educação
4) outras a incluir.

quarta-feira, 28 de março de 2012

INFORMES DO SINTE RN

26/03/2012 Capital

Assembleia do município é antecipada

A comissão de negociação e a coordenadora geral do Sinte, Fátima Cardoso, decidiram que a assembleia do município de Natal será antecipada para o dia 29 de março, às 9h na ASSEN. A pauta está mantida e o cartaz com as informações chegará nesta segunda-feira (26) às Escolas e CMEIs. É importante que a assembleia conte com a participação de todos e todas, pois além da reafirmação da resistência e luta da categoria, o encontro será um momento de análise mais aprofundada da campanha salarial.

sábado, 17 de março de 2012

DICAS PARA NUNCA SE METER EM POLÍTICA


1º - DEIXE BEM CLARO A TODA HORA O QUANTO VOCÊ ODEIA POLITICA. – Essa atitude lhe mantém, pelo menos na sua consciência, isento de qualquer obrigação em analisar os problemas da realidade;
2º - NÃO VOTE EM NINGUÉM, VOTE BRANCO OU NULO. – Dessa forma você fica em uma situação bem cômoda caso os governantes ou representantes públicos escolhidos cometam atrocidades contra todos, inclusive contra você e a sua família.
3º - ADMITA SEMPRE PARA VOCÊ E PARA TODO MUNDO: “POLITICO É TUDO IGUAL”. - Isso já lhe evita de ter que pesquisar sobre esse ou sobre aquele para saber quem é melhor. Se algum incompetente ganhar, foi a vontade de Deus.
4º - NADA DE AJUDAR NA CAMPANHA DE ALGUM CANDITATO. – A não ser que ele lhe dê algo particularmente em troca. Se depois ele se mostrar um corrupto, sem ética e sem escrúpulos, você apenas vai ficar sem escolas de qualidade; sem segurança e sem ter aonde recorrer em caso de problemas de saúde.
5º - CASO VOTE EM ALGUÉM, NEM PRECISA GUARDAR NA MEMÓRIA QUEM FOI. – Desse jeito você não se lembra a  quem cobrar as promessas de campanha quando os candidatos assumirem os postos e não terá que se incomodar com protestos e com denuncias, se for o caso.
6º - CONVENÇA-SE E TENTE CONVENCER SEMPRE OS OUTROS DE QUE NINGUÉM PODE FAZER NADA, QUE “MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM TEM JUÍZO” – Depois, basta abaixar a cabeça, dizer amém pra tudo, para não se prejudicar no trabalho ou socialmente. Afinal, “bestas” foram os que perderam a vida para que a gente tivesse hoje o direito de votar.                   (@prof_lucena)

sexta-feira, 9 de março de 2012

GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA: UM DESAFIO DO SÉCULO XXI



Sonia Cristina de Oliveira, Cleomar Ferreira Gomes
Um diretor de escola é um gestor da dinâmica social, um mobilizador e orquestrador de atores, um articulador da diversidade para dar-lhe unidade e consistência na construção do ambiente educacional e promoção segura da formação de seus alunos, suas ações tenha em mente o conjunto todo da escola e seu papel educacional. Não apenas imediato, mas de repercussão no futuro, em acordo com visão estratégica e com amplas políticas educacionais. (LUCK, 2000).

Este artigo analisa algumas questões atinentes à gestão escolar e às exigências necessárias à formação dos responsáveis pelas escolas, frente às demandas atuais e ao contexto de uma sociedade que se transforma e se modifica constantemente.  Gestar uma escola significa ser dotado de conhecimentos pedagógicos para compreender o processo educacional, compreender a função da escola, articular políticas de formação com a política de gestão – visão estratégica e possuir um novo olhar quanto à construção do projeto político pedagógico que é uma ferramenta que possibilita gestão democrática. 
A gestão democrática ainda se encontra muito em aberto à construção do conhecimento e à aprendizagem, dada a dificuldade que se tem de mudanças de paradigmas. Estas não acontecem de forma rápida, pois consistem em um processo histórico e construído com muita dificuldade pela sociedade. Durante muito tempo, a educação viveu apenas sob o domínio do modelo da modernidade fincado em suas verdades prontas, em seus conhecimentos cristalizados e sem direito à participação da coletividade.   Atualmente, para dar conta de um novo modelo organizacional na escola é preciso passar por várias mudanças como, por exemplo, de paradigma.  É preciso, ainda assimilar novas formas de se relacionar com o conhecimento, a pesquisa, a organização e a função da comunidade no envolvimento da educação. Para atuar em um novo modelo de escola é necessário também compreender sua função, conforme Rios (1993, p. 38).
A escola não está nem fora da sociedade, com uma autonomia absoluta diante dos fatos que estimulam as mudanças sociais, nem muito menos numa relação de subordinação absoluta, que a converte em mera reprodutora do que ocorre em nível mais amplo na sociedade. A escola é parte da sociedade e tem com o todo uma relação dialética – há uma interferência recíproca que atravessa todas as instituições que constituem o social. Alem disso, podemos verificar que a escola tem uma função contraditória – ao mesmo tempo em que é fator de manutenção, ela transforma a cultura.
A escola mantém e transforma ao mesmo tempo, influência e é influenciada pela sociedade.  Neste sentido, destaca-se a importância da formação daqueles que administram as escolas, seus conhecimentos pedagógicos para compreender o processo educacional precisa passar por uma profunda reflexão filosófica sobre a educação, revelando o domínio ético, político e a compreensão da autonomia fundada no respeito à diversidade, à riqueza das culturas e à procura da superação das marcantes desigualdades locais e regionais na partição e no envolvimento de todos.
Essa mudança de paradigma tão necessária nas escolas deve perpassar pela implantação de novas práticas voltadas para interação, participação, envolvimento e buscas de parcerias para solução de problemas e ampliação de novos olhares no contexto educativo.  A educação é um processo que se deve ligar ao mundo do trabalho e à prática social, portanto, é necessária a participação para se construir projetos voltados aos anseios da coletividade. E também se fazer política no sentido de modificar a sociedade e ser modificado por ela, para tanto é necessária visão política. As ações educativas estão permeadas das ações políticas, aqui compreende-se a importância dos gestores escolares possuírem uma formação que venha ao encontro dessa demanda, com visão estratégica de futuro.  Pois,
A escola se encontra no centro de atenções da sociedade. Isto porque reconhece que a educação, na sociedade globalizada e economia centrada no conhecimento, constitui grande valor estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade, assim como condição importante para a qualidade de vida das pessoas. Luck (2000, p. 12).
Este é um enfoque que, se adotado, exige que se abandone o modelo arcaico, antigo e fundado na cobrança.  É preciso que o gestor tenha um novo perfil, com especial atenção às diversas demandas sociais que surgem, é essencial que tenha, também, novos conhecimento e habilidades para que possa dar conta dessa educação que é responsabilidade de todos.  O envolvimento de professores, equipe técnico-pedagógica, funcionários, alunos, pais e comunidade, devem formar um jeito diferente de compreender o papel da escola e sua gestão. Neste modelo, o trabalho deve ser entendido como prática social e orientador da ação de gestão realizada na organização de ensino.
Conforme Luck (2000), o paradigma de gestão escolar tem como base alguns fundamentos muito necessários para a implantação do modelo: a) a realidade é global onde tudo está interligado; b) a realidade é dinâmica construída pelas interações entre as pessoas; c) o ambiente social e comportamento humano são dinâmicos e imprevisíveis; d) a incerteza, ambigüidade, contradições, tensões, conflito e crise são vistos como naturais e como condição e oportunidade de crescimento e transformação; e) a busca de realização e sucesso corresponde a um processo e não a uma meta; f) a responsabilidade maior do dirigente é a articulação; g) as boas experiências não devem ser copiadas, sim resignificadas por causa das peculiaridades locais e organizacionais; h) as organizações devem priorizar a participação conjunta e mobilizar equipes atuantes, pois os talentos e a sinergia humanos são recursos poderosos numa organização. Estes aspectos são essenciais na visão democrática como garantia de mudanças comportamentais e organizacionais.
 Frente às pressões por que um gestor passa, fica evidente que ele necessita de formação condizente com o modelo de gestão que adotou, senão corre o risco de ser dominado pelo sistema ao invés de funcionar como um modificador e transformador do mesmo. Ele deve participar de formação continuada, construir projetos políticos pedagógicos que possibilitem a inclusão social e lutar pelos direitos humanos, para tanto priorizando as categorias de autonomia, democracia, currículo e formação continuada dos professores e da comunidade. Não separando também a realidade social da escola e os referenciais teóricos. Conforme ressalta Freire (2002) uma educação em favor da autonomia do ser. Finalmente, outro aspecto essencial na gestão democrática é evitar a rotatividade, este fato traz a descontinuidade dos processos e prejudica o amadurecido para as transformações.
Referências bibliográficas.
André, Marli (Org).O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. 3.ed. São Paulo: Papirus, 2002.
Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 23.ed. São Paulo:Paz e Terra, 2002.
Pereira, Júlio Emílio Diniz. Formação de professores – pesquisas, representações e poder. Belo Horizonte: Autentica, 2000.
Pimenta, Selma Garrido (org). Saberes pedagógicos e atividade docente. 2ªed. São Paulo: Cortez, 2000.
Luck, H. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à formação de seus gestores. Em aberto, Brasília, v. 17, n.72, 11-33, fev. /jun.2000.
Veiga, I.P.A. Educação básica e Educação Superior: projeto político pedagógico. Campinas. Papirus, 2004.
Publicado em 08/07/2005 15:30:00

Sonia Cristina de Oliveira, Cleomar Ferreira Gomes - Sonia Cristina de Oliveira: Psicóloga no Estado de Mato Grosso. Mestre em Educação pela UFMT. Especialização em Psicopedagogia pela UNIC e Especialização em Dinâmica de grupos pela UFMT. Professora no Curso de Direito da Universidade de Cuiabá – UNIC.      
Cleomar Ferreira Gomes:
 Professor Doutor da Universidade Federal de Mato Grosso do Programa de Pós-Graduação em  Educação

sábado, 18 de fevereiro de 2012

CARTA ABERTA AO FÓRUM DE GESTORES MUNICIPAIS


Nata 17 de fevereiro de 2012.

Queridos amigos do FOGEM,
           
            Estando saindo da gestão por motivos de exoneração em massa de gestores e gestoras de CMEI na data de hoje e, venho através desta, despedir-me dessa categoria e de alguns amigos em especial que por diversas vezes tentou aqui se fazer “grupo” , tentou manter dentro desse caos que se instalou na nossa educação um Fórum de gestores para discutir os nossos direitos e caminhos para alcançar a qualidade nas escolas.
Sou testemunha que por diversas vezes conseguimos ser “grupo”, quando nos reunimos para socializar a luta de cada um, as angustias e as estratégias para superar as adversidades que tem sido muita nas escolas e CMEIS, principalmente nessa gestão municipal que hora somos sujeitos. Levo boas recordações desses momentos.
Assisti, com orgulho, tentativas de pessoas como Milton, Wendell, Christyan e outros amigos, com o respaldo da nossa confiança, de representar a nossa categoria diante da Secretaria Municipal de Educação. Todavia, lamento que, até isso, foi politicamente desarticulado quando começou a se usar o “FOGEM” apenas para repassar os “recados” da SME, com o pretexto de havermos nos tornados parceiros. Do nosso lado, creio firmemente, na intenção de colaborar, do lado de lá, tenho a certeza, da intenção de manipular e desestruturar o nosso fórum.
Embora nunca existindo oficialmente e essa foi sempre a maior de nossas falhas, o FOGEM é para todos os que estão assumindo uma administração escolar, uma “ideia” ou um “ideal”, uma possibilidade de integração, de luta e discussões a respeito da qualidade de gestão que está sendo realizada nas nossas escolas e CMEIS. O FOGEM existe a todo o momento em que se reúnem pessoas que acreditam nisso e que se unem para planejar estratégias de enfrentamento às dificuldades e de aperfeiçoamento da arte de gestar um espaço onde a educação acontece.
Espero que um dia o FOGEM venha a tornar-se uma instituição forte, capaz inclusive de lutar contra uma injustiça como essa, de exonerar gestores de instituições de ensino, que vinham cumprindo o seu papel com empenho e competência. Mesmo sendo alegando o direito da Prefeita sobre os cargos, não há justificativa para tais exonerações a não ser as manobras politicas que pretendem instaurar dentro da nossa rede de ensino, transformando CMEIS em “currais eleitorais”.
Quem sabe um dia se compreenda que representar o povo ou uma categoria não significa tomar atitudes pessoais ou partidárias, mas ouvir aqueles que os escolheram para estar lá e ser um porta-voz das suas ideias e reivindicações. Nesse caso, o Secretário da Educação já deixou claro que a comunidade não tem nenhum direito de opinar.
Quero deixar claro que saio realizada no trabalho que me propus fazer, um trabalho que pode ser avaliado por qualquer pessoa que visitar o CMEI que administrei ou conversar com alguém que me conheceu de perto durante essa jornada. Não há nada que possa abalar a minha integridade ou por em duvida a minha competência.
E, por ultimo, não poderia ser diferente, gostaria de chamar para a luta. Esse não é o momento de abandonar os que caem, ou melhor, os que são derrubados. Quem se isenta, ainda que por motivos particulares, de participar de um momento como esse, tenha a certeza de que está compactuando e aprovando a forma como estão administrando a rede publica de educação na nossa cidade.
Nesse dia 22 de fevereiro (quarta-feira), por ocasião da abertura da JENAT, um protesto está sendo organizado pela comunidade natalense e pelos professores, na frente do CEMURE. A hora é agora, depois de nada adiantará o lamento.
Um abraço e até breve.

Ivana Maria de Lucena Silva
(Ex-diretora do CMEI Saturnina Alves de Lucena)